CARL AXEL RUNE SÖDERBERG (1927-2014), sueco, nascido em Domsjö – SjälevadSuécia, filho de Olov Albin Söderberg, falecido em 1959, e Sara Sofia Söderberg, falecida em 1982, casou-se em 19 de junho de 1953 com Sif Ingrid Ulla-Britt Söderberg, hoje com 82 anos. O casal teve 3 filhos: Staffan Carl Olov Söderberg, falecido, médico cirurgião cardio-vascular, Tomas Edvard Rune Söderberg, 52 anos, médico cirurgião ortopedista, e Annika Ingrid Maria Söderberg Campos, 48 anos, cirurgiã dentista. Filhos estes que lhe proporcionaram 6 netos. 

 

Estudou na escola regular de sua cidade natal, tendo posteriormente, após 6 anos intensivos, obtido o Registro Profissional na Domsjö Eletriska (Härnösand). Essa qualificação para a eletricidade já despontara nas forças armadas suecas, onde serviu de 1947 a 1948, como mestre de linha, o responsável em caso de guerra pelas instalações de alta tensão (380.000 volts), compondo então a chamada tropa de engenharia.

Em 1952, por ocasião do incêndio da hidrelétrica de Gideabacka, trabalhou na sua recuperação sob o comando do prestigiado Engenheiro Barremo, chefe de unidade.

 Entre 1953 e 1955, foi o responsável pelo fornecimento de energia na região, vinculado à Mo-DO Domsjö, então a maior indústria de celulose do mundo.

 Entrelaçados a sua formação e exercício profissional, os acontecimentos na vida de Rune Söderberg foram marcados pela sua conversão à fé evangélica aos dezoito anos, bem como pela sua vocação natural para música.

 Aos 5 anos de idade, influenciado pelo tio concertista Isidor, então com 45 anos, começou seus estudos de violino que o levaram, aos 18 anos, a credenciar-se ao ingresso na Escola Superior de Música da Academia Nacional Sueca em Estocolmo.

Exatamente no momento em que teve um encontro com Jesus como Senhor  e Salvador, veio a comissão, dada por Deus, para servi-lo como pastor e missionário em terras estrangeiras. Já em 1949, servia como evangelista em igrejas da região do interior da Suécia, embora, nesse período, jamais tivesse deixado de tocar violino. Em 1950, por exemplo, enquanto evangelizava em Arvika, tocava na orquestra de câmara da cidade.

 Foi nesse mesmo ano (1950) que, juntamente com a esposa, iniciou a sua formação religiosa no Seminário Teológico de Örebro, cujo reitor, Sven Lagerquist,  e o inesquecível teólogo Erik Sollerman proporcionaram-lhe solidez de fé e caráter. Os ensinos desse teólogo, aliás, foram de tal maneira marcantes que até os dias atuais, momento a momento, amadurecem no coração  e mente de Rune Söderberg

 Rune permaneceria até 1953 no Seminário onde aprendera também os idiomas inglês, alemão e grego, fundamentais para o futuro que se aproximava.

 Foi em Örebro mesmo que a vocação sacerdotal encontrava-se novamente com a música. A Escola Nacional de Música abrira uma filial naquela cidade e, por pressão dos colegas de seminário, habilitou-se às provas para violino sob os rigorosos ouvidos do examinador russo Max Pelz, encantado não apenas pelo violino de Rune Söderberg, mas também pela sonoridade produzida pelo jovem músico. Assim, o jovem não somente foi recebido na escola, como também convidado a integrar o Quarteto de Cordas, ao lado do mestre do grupo, seu próprio examinador, o russo Max Pelz. Estudou também, por 2 anos, com Thorsten Foreaues , tendo, no mesmo período, tocado em orquestra sinfônica e estudado composição e contra-ponto com Ingvar Lidholm e regência com o belga George Raymond. Participa, então, como spalla da orquestra sinfônica da escola.

 Nem mesmo quando retorna de Örebro para Örnskoldsvik abandona a música. Lá, passa a integrar a Orquestra Sinfônica Municipal.

Participando da Sociedade de Poetas em Örebro, o chamado “Grupo 4ª feira”, foi também membro da Liga dos Luthiers, na qual era um dos três jurados  que avaliavam a qualidade dos instrumentos produzidos e, nesta perspectiva, foi autor de vários artigos em jornais e revistas especializadas na Suécia, onde se apresentava como solista em concertos, destacando-se  “O Canto do Pássaro”,  de Vivaldi, em sol menor. Já formado, recebe convite do reitor da escola musical da TV Estatal Sueca, o compositor Sven Erik Back, para ser violinista, na mais rigorosa seleção entre os músicos nacionais.

 Rune Söderberg , contudo,  retorna à sua cidade, atendendo ao já delineado futuro que daria uma dimensão nova à vida do jovem casal.

Abandonaria, sim, não somente a profissão de músico, mas também a indústria onde atuava como profissional de eletricidade, aliás sob o lamento do seu diretor presidente Erik Kompe, que marcou a vida do jovem Rune com uma frase de despedida: “É importante que você possa trabalhar como 10 homens. Mais importante, contudo,  é que você consiga fazer 10 homens trabalharem como você”.

  Este caçula de uma família de 13 filhos convertera-se ao cristianismo em 1944, recebera o chamado de Deus em 1949 e é consagrado como Missionário em outubro de 1955.

 Como preparação ao exercício pastoral, foi co-pastor na Igreja Elim em Ö-vik ao lado do querido pastor Nils-Nilsson, tendo, nesse período intersticial, redigido outros artigos em jornais e revistas suecas, bem como realizado em escolas superiores preleções sobre etnografia e geologia na América Latina, revelando assim não apenas a sua grande versatilidade, como também o amor à região pela qual dedicaria a maior parte de sua vida e de seus familiares.

 Finalmente, em 11 de novembro de 1955, a bordo do navio Margareth Johnson  da Johnson Lines, o casal sai da Suécia e, em 5 de dezembro, chega ao Rio de Janeiro, atracando em Santos no dia seguinte, 6 de dezembro de 1955.

Os pastores Rune e Ulla-Britt, sem conhecer a língua portuguesa, dirigem-se a São Paulo e, na Igreja Filadélfia de  Água Rasa, em contato com os missionários  Alfred Winderlich e Wolfgang Kundrich, com os quais se comunicavam em inglês e alemão, iniciam o trabalho de evangelização,  assumindo ali o pastorado da Igreja até a vinda do Pastor Pedro Mendes.

 De fevereiro de 1958 a março de 1962, pastorearam no Rio Grande do Sul, no município de Santa Rosa, cidade que se tornou inesquecível para o casal e onde construíram dois templos e tiveram seus dois primeiros  filhos, Staffan e Tomas.

 De volta à Suécia em 1962,  por dois anos pastorearam a Igreja Elim, tiveram a filha Annika e ali permaneceram até poderem retornar ao Brasil, ao assumir aquela igreja o grande amigo Henry Holm.

 Em 15 de abril de 1964 deu-se a nova chegada ao Rio Grande do Sul. Porém, em junho de 1964, a cidade de Santos os receberia definitivamente, iniciando-se então o período de 32 anos na Terra da Liberdade e da Caridade.

 Iniciando o trabalho evangélico na ante-sala  de sua própria casa no bairro do Estuário, na Avenida Afonso Pena, 477, o Pr. Rune Söderberg participaria ativamente da Convenção das Igrejas Batistas Independentes.

 Como professor do Seminário Teológico Batista Independente em Campinas, de 1965 até 1967, lecionou Teologia Sistemática, Homilética, Grego e Música. Presidiu o departamento de Literatura, sendo autor de textos e artigos especializados, e também o Concílio dos Missionários Batistas Independentes da Sociedade Missionária.

Após a difícil cirurgia à qual se submeteu em 1976, que quase lhe ceifou a vida, dedica-se à construção do templo da Igreja Batista Filadélfia de Santos, na Rua Liberdade, 442, no Embaré, em Santos.

 Nestes anos, ao trabalho pioneiro do Pr. Rune Söderberg somaram-se não apenas outros pastores, dentre os quais seu próprio filho, Dr. Tomas, como também outros templos em Santos e São Vicente.

 A dimensão de seu trabalho estendeu-se a: construção do acampamento para retiros espirituais, fundação do Instituto Bíblico Filadélfia, associação beneficente, programas de rádios e de tv diários, ou seja, a todas as formas possíveis para anunciar a Salvação em Jesus Cristo.

 O hoje chamado Ministério 100% VIDA é fruto amadurecido da semente plantada no passado pelos missionários RuneUlla-Britt Söderberg.

 Reconhecido como autoridade eclesiástica respeitável pelo governo sueco, Rune Söderberg acompanhou e interpretou as visitas de autoridades suecas no Brasil bem como realizou para a TV Sueca 6 filmes documentários sobre o Brasil, os quais, diferentemente de outros trabalhos que apontam nossas deficiências, apresentam de forma positiva nosso país.

No dia 12 de março de 2012, o Rev. Rune Soderberg passou a presidência do Ministério 100% Vida para seu filho, Pr. Tomas Soderberg a fim de continuar o seu legado.